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segunda-feira, 26 de outubro de 2015

ENCONTRO COM O RDA: PERSPECTIVAS COM O NOVO CÓDIGO DE CATALOGAÇÃO

Esse será o tema do 21º Encontro Marcado que acontecerá amanhã (27/10/2015) na página do Mural Interativo do Bibliotecário no Facebook.

Nosso convidado do dia será o bibliotecário FABRÍCIO ASSUMPÇÃO. Venha interagir conosco nesse encontro!


terça-feira, 21 de julho de 2015

LIVROS NO CÁRCERE: ENTRE A TÉCNICA BIBLIOTECÁRIA E A DEMANDA SOCIAL

por Catia Lindemann 

O embate neste assunto centra-se na dúvida: Será que basta levar obras literárias, catalogá-las e classificá-las nas estantes, disponibilizando aos apenados para de fato cumprir a missão da biblioteca/bibliotecário no cárcere? Pois lhes afirmo, por experiência própria, que é preciso readaptar e reinventar as técnicas bibliotecárias, considerando sempre que uma biblioteca deve ser moldada para o seu usuário e não o contrário. A premissa consiste que, no cárcere, lidamos com uma biblioteca destinada para um usuário diferenciado, onde as regras da prisão ultrapassam as regras da Biblioteconomia por uma questão de ordem e segurança.



Uma vez trabalhando com livros dentro da Instituição Penal é que se compreende que a teoria nem sempre consegue ação dentro da prática bibliotecária, manter uma biblioteca no cárcere é encarar a Biblioteconomia Social como uma nova realidade. E de que modo o bibliotecário deve se colocar diante desta realidade? Morigi (2002) cita que:

Não basta apenas realizar procedimentos técnicos (classificar, catalogar e indexar), estes, sem dúvida, são muito importantes para a formação do profissional. Entretanto, os bibliotecários devem ir além destes saberes e atividades técnicas, precisam buscar elementos teóricos ligados às ciências humanas, que fortaleçam a sua condição de cidadãos e profissionais.     

Portanto, é preciso, ainda, muito trabalho reflexivo para compreender que a atuação do profissional bibliotecário vai muito além de somente organizar o acervo desses espaços de leitura. O papel do bibliotecário vai além da técnica.
           
Segundo Trindade (2009), as bibliotecas prisionais desempenham uma função de cunho social de suma importância dentro do processo de ressocialização do apenado. Faz-se necessário que este profissional tenha ciência de que não lida apenas com a classificação de obras, mas, acima de tudo, com a classificação de saberes, fazendo valer o seu papel de agente de educação e de intermediário da informação.




No cárcere temos de reinventar e readaptar a Biblioteconomia. Tudo que aprendemos como teoria é contraposto quando se trata de biblioteca prisional. Olhar aquele espaço e lembrar-se de “Planejamento de Acervo”, mas lembrar de que lá dentro a priori é a segurança, a simples distribuição de estantes não pode ser colocada como de regra na “Biblio”, e sim de modo em que tenhamos a visão do apenado por completo, portanto, nada de estante na horizontal e sim dispostas na vertical. Ângulo que coloca em risco as obras, uma vez que o sol bate diretamente nas mesmas, mas que possibilita visão de tiro em caso de rebelião.

Adotar uma classificação que venha a ser não apenas entendida pelos apenados, mas acima de tudo compreendida, cumprindo também as metas eficazes de tempo e organização. Mesmo não sendo uma biblioteca escolar, se as cores correspondem ao entendimento do usuário apenado, então que assim seja, pois ele é o objeto direto do espaço de leitura. E se, ainda assim, ele sentir dificuldades, que seja então ouvido. Exemplo disso são as cores sugeridas pelos apenados, caso da cor azul clara que, segundo eles, é a cor do céu, que representa quem já morreu e, portanto, classificaria as obras de “Chico Xavier”.

Simplesmente alocar estantes num espaço vazio e nelas concentrar livros não torna o cárcere diferente em nada. Não basta levar as obras, é preciso torná-las familiares aos apenados, promovendo a mediação da leitura, debatendo e trazendo de volta preceitos eruditas de nossa profissão.


O cárcere trata de um público-alvo com suas especificidades. A biblioteca, enquanto espaço destinado às obras e à leitura, deve seguir, lógico, a técnica da Biblioteconomia e colocar em prática tudo o que nos foi ensinado durante a formação, porém a biblioteca, enquanto ferramenta social destinada ao apenado, não tem como seguir sozinha sem estar respaldada pelo respeito às regras do cárcere e, principalmente, respeito à cultura do preso, ou seja, Biblioteconomia Social.

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Confira maiores informações em: <http://www.youtube.com/watch?v=JG4tCPQu0U8&feature=youtu.be>. Acesso em: 21 jul. 2015.


REFERÊNCIAS

MORIGI, Valdir José. O bibliotecário e suas práticas na construção da cidadania. Revista ACB, Florianópolis, v. 7, n. 2, p. 135-147, jul. 2002. Semestral. Disponível em: <http://tinyurl.com/o38cly5>. Acesso em: 20 jul. 2015. 

TRINDADE, L. L. Biblioterapia e as bibliotecas de estabelecimentos prisionaisconceitos, objetivos e atribuições. 2009. 118 f. Monografia (Bacharelado em Biblioteconomia) – Departamento de Ciências da Informação e Documentação,
Universidade de Brasília, Brasília, 2009. Disponível em: <http://tinyurl.com/lznceoq>. Acesso em: 20 jul. 2015.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

O DESAFIO DA EXCELÊNCIA NUMA MINI- E MEGA-BIBLIOTECA


por Adriano Silva


- Por que é que tu conheces e dás-te tão bem com tantas raparigas, se apenas trabalhas numa Biblioteca? Perguntou-me um amigo, admirado, num autocarro.
- Se for uma aluna do 1º ano que me pede um livro, eu dou-o e não começa aí relação nenhuma, respondi eu, mas a situação é diferente a partir do 3º ano, quando elas começam a fazer trabalhos sobre assuntos diferentes… aí a questão complica-se…
- Como? Perguntou inocentemente o meu colega.
- Para responder a perguntas frequentes faço listagens temáticas, com sumários feitos por mim, para as ajudar a escolher os artigos a ler; porque ninguém tem tempo para ler tudo sobre um assunto… Especialmente se tiver vários trabalhos a fazer…
- Claro, concordou o meu colega.
- No ano de estágio as alunas pedem-me as novidades que todas as semanas chegam à biblioteca. A listagem não chega. Faço todos os anos uma lista que coloco na parede de assunto – nome da aluna, para não me esquecer de avisar ninguém (a Difusão Seletiva de Informação é hoje em dia feita por email, mas funcionava muito bem por boca-a-boca).

Comecei a trabalhar aos 18 anos como simples técnico de Biblioteca, e no meu ano de estágio cataloguei todos os livros do Instituto (de Serviço Social). Depois, para me entreter, comecei a catalogar todos os artigos de revistas e fiz assuntos apenas dos artigos mais importantes.
Trabalhei ali 10 anos, e todos os anos havia professores novos ou disciplinas novas. Logo, todos os anos há assuntos “novos”. Isto implica ser impossível existir uma “lista universal de assuntos”. Também implica que, para imprimir uma listagem de um assunto novo, tinha de ter previamente catalogado e resumido todos os artigos sobre aquele assunto.
Uma pequena biblioteca pode ser uma grande biblioteca se tiver um bom catálogo, com assuntos e sumários. A Excelência torna uma pequena biblioteca uma grande biblioteca.
Há 16 anos que trabalho na Biblioteca Pública Municipal do Porto (BPMP), fundada em 1833 por D. Pedro, muito amado no Brasil. Porque tem Depósito Legal desde a sua fundação, temos cerca de 28 km de estantes, sendo talvez a 2ª maior biblioteca de Portugal.
Uma mega-biblioteca terá mega-problemas, os quais podem ser aumentados ou reduzidos pelo uso das novas tecnologias.
Antigamente, os bibliotecários respondiam aos leitores usando um catálogo manual por assuntos, ou melhor, por CDU (uma versão da CDD usada no Brasil) e elaborando catálogos temáticos (um grande bibliotecário era aquele que editava um catálogo sobre um assunto). Sobre periódicos (jornais e revistas), existiam catálogos manuais pelo local de edição (a pergunta mais frequente dos leitores é: - Quais são os jornais da minha terra?) e por CDU/assuntos.
Atualmente, o catálogo está disponível online. Os registros bibliográficos são importados da Biblioteca Nacional. Graças a isso, poupam-se recursos, mas… e os assuntos?


 
Imagem extraída da galeria de fotos disponível no site da Biblioteca Pública Municipal do Porto: <http://bmp.cm-porto.pt/bpmp>. Acesso em: 25 jun. 2015.
 
No Serviço de Periódicos sempre se corrigiu a catalogação e a CDU, tendo-se adicionado o assunto a partir do momento em que o catálogo está online.
Hoje temos mais de 30 mil títulos de periódicos divididos por distritos e antigas colónias. Do Porto (é uma biblioteca municipal) temos mais de 1000 jornais já indexados (e muitos mais há para catalogar no futuro…).
O que é um bibliotecário? Um produtor de catálogos. Mas já não estamos no tempo dos catálogos em papel. O leitor, se o quiser, que o imprima. Trabalho, ao mesmo tempo, todos os dias, em mais de 130 catálogos ou assuntos diferentes. Resultados?

- “Descoberta” de textos de Camilo Castelo Branco, Raúl Brandão e outros escritores, em jornais não referidos pelos especialistas;
- “descoberta” de várias revistas literárias não mencionadas pela obra de referência e publicação de artigo em revista literária;
- convite para falar em Universidade sobre periódicos do 25 de Abril;
- agradecimentos de um especialista em banda desenhada, por ter “descoberto” uma BD;
- agradecimentos de genealogistas, por ter “descoberto” colaborações de familiares deles em jornais;
- agradecimentos de autores, os quais detestam ver a confusão entre as suas obras e a de outros autores com o mesmo nome, sejam eles pais, avós, tios ou desconhecidos.

Sem uma catalogação cuidada, com atenção aos assuntos, nada disto seria possível!
O mega-problema das mega-bibliotecas é o tamanho: a multiplicação das “equipas” e dos feudos pessoais. A divisão entre “front office”, que atende o público e sabe dos problemas, e o “back office”, que não quer saber dos problemas dos “outros” e muito menos resolvê-los.
Como é possível ter assuntos em condições se só contacto com os leitores uma vez por mês? Como ser excelente se não há reclamações ou sugestões dos leitores?
Como ter Qualidade se superiormente os objetivos são apenas de Quantidade? Como ser Excelente se o objetivo é um ficheiro a que os leitores não têm acesso, ou seja, se o objetivo é trabalhar para o boneco?
A Qualidade é o maior desafio das mega-bibliotecas! Por incrível que pareça, é mais fácil uma pequena biblioteca ser excelente do que uma mega-biblioteca.

sexta-feira, 6 de março de 2015

E A FORMAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO...? COMO ESTÁ...?

Por Fabíola Maria Pereira Bezerra



É sabido que os códigos de catalogação e classificação no processo de representação da informação são ferramentas de trabalho do bibliotecário. Na universidade, as disciplinas de catalogação e classificação são obrigatórias, pois é no processo de formação do profissional que o mesmo adquire habilidades para manuseio e uso dos códigos.

No meu tempo de faculdade, o Curso de Biblioteconomia possuía vários “jogos” da CDD e da CDU para os alunos, hoje ouvi dizer que estas ferramentas não existem em uma universidade que fica “logo ali”. Fica então a dúvida: como pode um Curso de Biblioteconomia não possuir códigos de classificação para os alunos?...Ou será que inventaram algo mais moderno e eu não estou sabendo?

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

CLASSIFICAÇÃO POR CONTEXTO

Por Fabíola Maria Pereira Bezerra e Francisco Edvander Pires Santos

Na era em que os sistemas de classificação encontram-se cada vez mais cadastrados em nossos sistemas de recuperação da informação (entendam-se também softwares de automação), todo cuidado é pouco com os termos “isolados”, aqueles que nem sempre são cadastrados com complemento ou com modificador em nossas bases de dados.

Por conseguinte, a identificação de um assunto de forma “isolada” poderá resultar numa recuperação truncada, pois existem termos semelhantes que remetem a contextos distintos e que podem ser encontrados em diversas classes. Para ilustrar, lembramos rapidamente de termos como “manga” (fruta e manga de camisa), “raízes” (parte da planta e no contexto da Sociologia) e “tempo” (no aspecto da Língua Portuguesa ou da Astronomia), dentre outros exemplos.

Cuidados nesse sentido podem evitar que livros fiquem completamente “perdidos” no meio das estantes e em classes que não lhe pertencem. Quando equívocos assim acontecem, é possível, por exemplo, acontecer de um livro que aborda o assunto “tempo” em Astronomia (mais especificamente na classe 529 - Cronologia) estar equivocadamente localizado no meio dos livros classificados como tempo verbal (sob a notação 469.562).



Fica-nos, portanto, três lições:

1. Mesmo que o sistema recupere o termo exato que você procura, faz-se necessário recorrer ao CONTEXTO no qual esse termo está inserido, pois um termo “isolado” pode nos conduzir ao equívoco, e o item classificado corre o risco de “se perder” no acervo em meio a um assunto não correspondente;

2. Nem sempre colocar em prática a ideia de que catalogar determinado item trata-se de um trabalho “mecânico”, já que a classificação nos exige uma análise conceitual e detalhada do item;

3. Por via das dúvidas, sempre comparar se a notação e o assunto trazidos pelo sistema correspondem àquelas especificadas na versão impressa do sistema de classificação adotado pela instituição (seja CDD ou CDU) e sempre verificar se no acervo já consta alguma obra equivalente à que será catalogada.

Além disso, estar atento aos sinônimos da língua portuguesa e/ou inglesa também servirá de grande auxílio para evitar situações como essas e, como consequência, para conduzir em tempo hábil os nossos usuários às obras requisitadas.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

UMA SINGELA REFLEXÃO...


por Francisco Edvander Pires Santos

Ao exercer a arte de catalogar e de classificar, devemos levar em consideração a necessidade dos usuários de nossas bibliotecas.


Imagine determinado usuário consultando um acervo e que um mesmo assunto de seu interesse esteja “espalhado” em prateleiras distintas e distantes. Não dá! Ou o livro não é encontrado ou o usuário sai da biblioteca insatisfeito. Assim, as linguagens documentárias estão aí para serem adaptadas à realidade de cada biblioteca, tendo em vista que a necessidade de informação do usuário é pontual e imediata, ele sempre tem pressa, “poupe o tempo do leitor”!

Acredito que seja com essa visão (com a visão do usuário) que nós (bibliotecários) devemos exercer essa arte, deixando um pouco de lado a nossa visão particular...