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segunda-feira, 4 de junho de 2018

ANDANÇAS E MUDANÇAS

Por Ana Luíza Chaves

Com o texto é nosso dessa semana queremos chamar a atenção de vocês, para um evento que está se aproximando, a palestra de alguém que sai por aí andando, sempre buscando levar informação e condição, novidades e possibilidades, não importam as cidades, nem as idades.
Estamos falando das andanças do bibliotecário português Nuno Marçal, que a bordo do seu bibliomóvel, provoca mudanças na vida das pessoas, trazendo-lhes alegrias e esperanças.

Aproveitamos a vinda dele ao Brasil e acertamos trazê-lo até o Ceará. Fortaleza o receberá no dia 22 de junho, e você, vai ficar de fora desse encontro? Já marcou ponto fazendo sua inscrição? É uma oportunidade singular.

A capa do Mural mudou, e quem ainda não reparou, agora se tocou.


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quarta-feira, 3 de junho de 2015

1001 ANDANÇAS DAS BIBLIOTECAS ITINERANTES POR ESTRADAS, TERRAS E GENTES DE PORTUGAL


Por Nuno Marçal

A história das Bibliotecas Itinerantes em Portugal está repleta de símbolos marcantes que influenciaram e muito a vida daqueles que usufruíram dos seus serviços.

 
Os primeiros serviços itinerantes de biblioteca foram criados na primeira metade do séc. XX (1914) e eram apenas malas que percorriam clubes, associações e corporações carregadas com um pequeno acervo documental. Durante a ditadura houve também um serviço de Biblioteca Itinerante (Biblioteca Ambulante de Cultura Popular) que teve uma duração efémera (1945/1949). Era constituído por sete veículos, que disponibilizavam obras da Secretaria de Propaganda Nacional.

Em 1953, António Branquinho da Fonseca escritor e Bibliotecário criou em Cascais a Biblioteca Móvel que percorria toda a linha de costa e praias da Linha do Estoril, levando livros e cultura aos veraneantes. Este serviço iria chamar a atenção da Fundação Calouste Gulbenkian que anos mais tarde convidou Branquinho da Fonseca a idealizar e concretizar aquele ícone simbólico das Bibliotecas Itinerantes em Portugal.
 
Em 1958, Branquinho da Fonseca criou, através da Fundação Calouste Gulbenkian, aquele que ainda hoje pode ser considerado uma das maiores estruturas de Leitura Pública idealizadas e realizadas em Portugal e uma das primeiras redes de leitura pública do mundo.

As Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian foram, ao longo destes anos, importantes faróis de cultura e educação, em épocas obscuras onde o analfabetismo era promovido por um Estado controlador de actos e pensamentos e pouco interessado na educação do seu povo.

Este serviço itinerante de leitura, afectos e troca de informação foi percorrendo os recantos mais escondidos e inacessíveis de Portugal, ainda hoje permanecem vestígios da sua influencia na vida de milhares e milhares de antigos utilizadores/visitantes/Amigos que recordam com a saudade a sua passagem e para o qual têm uma divida eterna de gratidão pois graças a este serviço despertaram pela primeira vez com o Livro e criaram hábitos de leitura, que sem duvida os transformaram em melhores e mais esclarecidos cidadãos.

Em 2002, a Fundação Calouste Gulbenkian decidiu terminar este valoroso projecto de leitura pública entregando a responsabilidade da sua continuação aos municípios onde estavam instalados os serviços itinerante e fixos das bibliotecas. Os acervos foram integrados nas bibliotecas municipais ou simplesmente mudaram de designação. Em relação aos veículos, alguns municípios respeitaram a nobreza do projecto e mantiveram o serviço até aos dias de hoje, nuns casos mantendo até ao limite a sua durabilidade apostando na sua fiabilidade mecânica e estrutural.


Alguns municípios, interpretando correctamente a funcionalidade e a afectuosa ligação do serviço itinerante de biblioteca com as populações, nunca deixaram morrer este serviço, ao invés, apostaram na sua modernização e implementação.

Ao longo destes quase 9 anos de andanças por terras e gentes de Proença-a-Nova, a Bibliomóvel e os seus recursos humanos, bibliográficos e sentimentais foram-se entranhando na paisagem e no quotidiano dos seus utilizadores/visitantes/Amigos, apostando e baseando os seus serviços em valores como a Proximidade, a Periodicidade, a Cumplicidade e a Amizade, que constituem a imagem de marca não só da Bibliomóvel de Proença-a-Nova, mas de todos os serviços itinerantes de biblioteca. 

Esta busca incessante de novos utilizadores fora das ameias, por vezes demasiado altas das bibliotecas comuns, são um desafio cada vez maior numa sociedade em constante movimento e com utilizadores cada vez mais voláteis, importa não esquecer em épocas de crise, precisamente aqueles que estão ou foram ficando para trás no acesso a informação e na promoção e divulgação do Livro e da Leitura.

As Bibliotecas Itinerantes jogaram um importante papel, no esbater das desigualdades de acesso ao Livro e a Leitura, fruto do isolamento social e geográfico de algumas populações. Hoje, e com certeza no futuro, irão continuar o seu importante papel de aproximação e disponibilização de recursos bibliográficos, humanos e sentimentais, indo ao encontro dos seus utilizadores, visitantes e Amigos.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

BIBLIOTECAS ITINERANTES: LEVAR, TRANSPORTAR, DISPONIBILIZAR BIBLIOTECA E SEMPRE ALGO MAIS...


Por Nuno Marçal


A raiz identitária das bibliotecas itinerantes sempre foi ir e estar junto daqueles que precisam e necessitam dos serviços de uma Biblioteca e, por razões geográficas, ela não está próxima.

As suas origens coincidem com a explosão da Revolução Industrial, que arrastou grandes massas populacionais e transformou as necessidades e também as vontades de acesso as Bibliotecas.

As Bibliotecas Itinerantes possuem no seu ADN essa necessidade de ir e estar mais perto de quem quer ou necessita usufruir dos serviços dessa casa de Liberdade que é uma Biblioteca.

Esse esbater de fronteiras geográficas e funcionais mantêm-se até hoje como a imagem de marca que prevalece e que por todo o Mundo ,resiste, evolui e adapta-se as exigências de um constante devir na produção e necessidades de Informação e Conhecimento, nos mais diversos suportes e formatos.

Essa capacidade de adaptação, circunstância obrigatória para quem faz da estrada o seu território funcional e emocional tem sido a chave para a sua sobrevivência. Vivemos tempos em que o acesso pode ser considerado universal, no entanto, tal como no passado existem franjas (vastas) da população que se encontram fora do circuito habitual de acesso normalizado a um serviço bibliotecário livre.

Valores como a Proximidade, Periodicidade, Cumplicidade, Intimidade e Amizade ajudam (são essenciais!) nessa missão de levar, transportar e disponibilizar Biblioteca.
 
  

A preocupação com as pessoas contribuiu e por isso continua a contribuir para que os relatos sobre as boas vivências individuais e comunitárias com as Bibliotecas Itinerantes, sejam idênticos em qualquer das quatro partidas deste Mundo. Uma Biblioteca feita por pessoas para pessoas!

Ir ao encontro das necessidades e vontades daqueles que usam, abusam e desfrutam daquilo que levamos e disponibilizamos é obrigatório e essencial no cumprimento da nossa missão/paixão.
As Bibliotecas mudam (são obrigadas a isso!) os espaços sacralizados de outrora dão lugar a espaços vivos que convidam as comunidades a entrar, a estar, a usar. A desfrutar!

Essa ligação umbilical entre Biblioteca/Comunidade e que nalguns casos foi/é o garante da sua sobrevivência e resistência contra poderosas ameaças a sua viabilidade e existência, é garantida e reforçada com a adequação dos serviços prestados com as reais necessidades da população que usa ou que pode vir a usar dentro da Biblioteca.

As Bibliotecas Itinerantes são Bibliotecas. Usufruem dessa enorme vantagem de estarem e irem ao encontro dos seus visitantes/utilizadores/Amigos. Esse importante trunfo garante para já uma enorme vantagem nessa relação fraterna, que importa valorizar e reforçar. Força da sua natureza mais informal, podem ajudar a esbater barreiras (que ainda subsistem) mais facilmente, para um total desfrute e usufruto de tudo o que as Bibliotecas disponibilizam.

Quem diariamente e globalmente fazem (e são muitos) acontecer as Bibliotecas Itinerantes por essas estradas, terras e gentes do planeta Terra têm noção das suas especificidades funcionais. Isso não nos transforma em melhores ou piores que todos os outros, apenas diferentes nessa nobre missão de fazer acontecer Biblioteca, como um espaço vivo de Liberdade e Fraternidade onde a Informação, o Conhecimento, os Serviços, os Afectos são elementos primordiais na sua interação e integração na Comunidade que serve e da qual depende.

“Bibliotecas ruins fazem coleções. Bibliotecas boas realizam serviços (dos quais uma coleção é apenas um deles). Bibliotecas excelentes criam comunidades.” R.David.Lankes


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